Para o Programa de Contação de Histórias deste mês, o MCI traz o lançamento do livro “O Segredo dos Artesãos da Amazônia”, da Editora Garagem do Imaginário, escrito por Siriani Huni Kuin e Nikita Llerena, com ilustrações de Yaka HuniKuin. A coordenação editorial é de Adriana Teixeira Reis e Elvira Godinho Aranha.
Ricamente ilustrado, o livro convida o leitor a explorar as tradições e a cultura do povo Huni Kuin, além dos desafios que enfrentam na preservação da floresta amazônica, narrando a história de Siriani e seu povo em um cenário de desmatamento. Frente a esta realidade, a protagonista adota uma abordagem educativa que transforma o curso dos acontecimentos. As autoras buscam mostrar que os personagens, mesmo com visões opostas, por meio do diálogo e da troca de experiências, revisitam suas concepções de mundo e encontram caminhos para um trabalho colaborativo em prol de uma sociedade mais justa e sustentável.
O livro também ressalta o conhecimento ancestral das comunidades indígenas sobre a preservação da floresta e os serviços ambientais essenciais que ela oferece ao planeta. Dada a relevância do tema, a obra se apresenta como um recurso valioso para debates entre alunos e professores do ensino fundamental, incentivando a reflexão sobre a conservação dos biomas como fator essencial para a manutenção e qualidade da vida humana.
Sobre Siriani Huni Kuin
Ativista, txaná (cantora) fundadora do grupo musical Txana Keneya, multiartista, contadora de histórias, coordenadora de vivências culturais e de trabalhos espirituais e jovem liderança da Aldeia Segredo do Artesão | Terra Indígena Kaxinawá - Praia do Carapanã, em Tarauacá, no Acre (única aldeia da região criada e liderada por uma mulher, a pajé e avó de Siriani, Bimi Shu Ikaya). Junto com Nikita Llerena, é cofundadora do Aîbaibu Kayawai - Mulheres que Curam, projeto que conduz a produção de biojoias artesanais criadas por mulheres indígenas Huni Kuin da Amazônia brasileira e que tem como objetivo promover a geração de renda e autonomia dessas mulheres, fornecer uma plataforma para compartilhar suas histórias e alavancar a arte ancestral como uma forma de manter viva a cultura da floresta. Mensageira da cultura do povo Huni Kuin, foi a primeira mulher de sua comunidade a tocar violão e a viajar de forma independente, sendo pilar no empoderamento feminino territorial e no fortalecimento da cultura matrifocal da floresta.
Sobre Nikita Llerena
Poetisa, contadora de histórias, produtora cultural, bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e aprendiz do Bem Viver, é coidealizadora do Festival IRIS (que conta com experiências imersivas, onde as tradições ancestrais, a arte, ecologia, justiça social e espiritualidade convergem para inspirar culturas de paz)) e cofundadora da Iris Pro Bem Viver – uma organização sem fins lucrativos que usa arte, educação e eventos culturais como ferramentas para conscientização social, política e ambiental. Também é cofundadora, junto com Siriani Huni Kuin, do Aîbaibu Kayawai - Mulheres que Curam. Llerena trabalhou em diferentes cenários periféricos desde cedo, incluindo campos de refugiados, favelas, aldeias indígenas e assentamentos rurais agroecológicos, tanto de forma independente quanto por meio de organizações como Choose Love e Teto.
Sobre Yaka HuniKuin
Artista visual indígena contemporânea, tecelã, artesã e aprendiz da floresta. Do povo Huni Kuin, nasceu na Aldeia Chico Curumim | Terra Indígena Kaxinawá - Rio Jordão, no Acre, e vive no município de Jordão. É cofundadora do Centro de Cultura Kayatibu, coletivo jovem Huni Kuin, e integra o Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAKHU). Trabalha com pinturas em tela desde os 15 anos, trazendo a cosmovisão, os cantos tradicionais e as mirações com o Nixi Pae (ayahuasca). Foi uma das participantes do Prêmio PIPA 2024. Seus trabalhos já estiveram nas exposições “Les Vivants”, da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, como parte da 6ª Edição do “lille300 - Utopia” (Lille, França - 2022); “Mirações”, do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP (São Paulo, Brasil - 2023); e “Coreografias do Impossível”, integrando a 35ª Bienal de São Paulo (São Paulo, Brasil - 2023).
Sobre Adriana Teixeira Reis e Elvira Godinho Aranha
Coordenadoras da coleção de livros paradidáticos da Editora Garagem do Imaginário. Atuam na área educativa há mais de 30 anos, especialmente na formação de profissionais da educação básica. Doutoras pelo Programa de Pós-graduação em Educação: Psicologia da Educação, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), atuam como tutoras no Programa de Pós-graduação em Educação: Formação de Formadores, na mesma instituição, onde também exerceram a atividade de coordenação da tutoria. São criadoras do Coletivo do Saber, trabalhando junto a instituições públicas e privadas no desenvolvimento profissional de educadores (professores, supervisores, coordenadores e diretores).
Criado em 2024, é um programa mensal para crianças e suas famílias com foco nos saberes dos povos originários e na possibilidade de experiências de interação e compreensão da diferença. Promove a valorização da pluralidade de vozes e vivências, a partir do compartilhamento de narrativas sobre os modos de viver, estar e cuidar do mundo pela perspectiva de diferentes povos indígenas.
Em seu primeiro ano de realização, Lilly Baniwa, Luã Apyká, Natan Kuparaka, Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo, Kuenan Tikuna, Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó, Cristino Wapichana, Énh xym Akroá Gamella, Coletivo Kanewí (Júlia Maynã e Awassury Fulkaxó), Sônia Ara Mirim e Natalício Karaí de Souza, Tserenhõ’õ Tseredzawê e Xipu Puri e Abi Poty trouxeram suas histórias.
Acompanhe o calendário deste ano: 17 de maio, 21 de junho, 19 de julho, 16 de agosto, 20 de setembro, 30 de outubro, 15 de novembro e 20 de dezembro.